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Minha jornada

Em minha caminhada até a decisão de tornar-me professor foram-se anos de consolidação de minha identidade. Iniciando que comecei no processo educacional muito cedo. Logo aos três meses de idade já estava em um berçário de uma creche chamada Criança Arteira. Permaneci nesta creche até os sete anos de idade. Acredito que lá é que me constitui enquanto vivente. Gozava de uma liberdade que infelizmente nunca mais obtive.


Após esse período inicial fui inserido ao Ensino Fundamental, na época chamado primeiro grau. Estudava numa escola católica, o Colégio Santa Inês, nesta capital. Logo de início já apresentava alguns problemas com a aceitação do caráter autoritário das regras dessa instituição católica. Esse fato só aumentou em intensidade com meu crescimento. E, após a quinta série fui para outra instituição católica, a Escola Marista Irmão Weibert. A mudança coincidiu com meu ingresso na pré-adolescência. Minha postura crítica e perturbadora não interessava aos pedagogos da escola. Passei por inúmeros processos de suspensões, culminando com a minha expulsão do colégio, enquanto cursava o segundo ano do Ensino Médio. Desde então refletia sobre o quanto eu acreditava ser errado o método pelo qual eu era tratado. Irritava-me a falta de capacidade de tais pedagogos entenderem minhas inquietações.


Passei por mais uma mudança de escola e fui para a rede pública. Foi no Centro Tecnológico Parobé onde percebi que o espaço do aluno era maior e este era respeitado enquanto indivíduo, talvez pelo aspecto mais "relaxado" da pedagogia pública. Cursava simultaneamente o último ano do segundo grau e o prmeiro ano do curso técnico em eletrônica. Por ser oriundo de uma família de técnicos, acreditava que esse passo era natural e que esse título me colocaria mais facilmenteno mercado de trabalho. 

Paralelamente, fazia terapia desde meus dezesseis anos, fato que muito me ajudou a entender essa minha identidade opinante e reformadora. E, ao final de meu curso técnico, já tinha a idéia de me tornar professor.
 

Em princípio, ingressei na UniversidadeFederal cursando Licenciatura em Física, provavelmente pela proximidade com a eletrônica. Posteriormente, migrei para o curso de filosofia onde mantive-me obstinado à docência, cursando novamente licenciatura.


Enfim, busco em minha preparação para ser professor constituir-me de modo que eu possa agir de modo muito diferente de tudo aquilo que sofri enquanto aluno. E talvez conseguir transpor a distância existente entre a matéria a ser ensinada e a vida a ser descoberta.

Comentários

  1. Olá Fábio!
    Observando a narrativa, percebo que tua postura questionadora perante à vida e aos acontecimentos que te cercavam talvez já fossem indícios de que teu caminho teria como destino a Filosofia ou algo relacionado às áreas humanas. Parabéns pela escolha e boa sorte! Mas como curiosidade: alguma situação ou algum(a) professor(a) te influenciou nisto?
    Seguindo: tu citaste que te sentias mais à vontade na escola pública devido ao respeito com que era tratado, enquanto indivíduo, além da existência de uma pedagogia "mais relaxada". Quem sabe estes são pontos para que possas fazer a relação da tua narrativa com os textos sugeridos pela professora? Este é o próximo passo/atividade.
    Aguardamos novas postagens para que possamos seguir o debate.

    Abraços, Anelise.

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  2. Oi Fábio,

    estive por aqui e reforço os questionamentos da Anelise. Voltarei em breve para seguir acompanhando os teus registros, reflexões...
    Abraços,

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Esboçando-me

Quem sou: Um jovem estudante idealista. Onde vivo: Porto Alegre, com minha mãe. Objetivos de vida: Constituir uma bela família; ser um bom educador, ensinando através de um pensamento crítico; e ter uma velhice sadia. Concepções: educação - libertária/construtivista professor - formador de opinião, referência professor ideal - aquele que se sente incomodado com a situação com que as coisas estão e se dão no mundo. Um ser crítico acima de tudo,não convencional e com caráter de mudança. Alguém que consiga flutuar na linguagem e na postura podendo atingir o maior número de pessoas possível com aquilo que tem a dizer. E que esse conteúdo seja transformador dessa realidade incomodativa. Perspicaz, audacioso e íntegro.